Hoje queremos abordar um tema que se tornou muito relevante atualmente: Cristofascismo. Quer estejamos a falar da importância de Cristofascismo na sociedade atual, do seu impacto na vida das pessoas, ou mesmo da sua relevância na história, este é um tema que nunca deixa de despertar interesse. Desde as suas origens até ao seu impacto na vida quotidiana, Cristofascismo tem sido objeto de debate e reflexão. Neste artigo, exploraremos diferentes facetas de Cristofascismo para compreender seu verdadeiro escopo e significado em nossas vidas.
Parte de uma série sobre o |
Fascismo |
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O termo cristofascismo, uma combinação de cristianismo e fascismo, foi criado pela teóloga alemã Dorothee Sölle, em 1970.[1][2][3] Sölle, uma defensora da teologia da libertação, usou o termo para descrever segmentos da igreja cristã que ela caracterizou como totalitários e imperialistas.[4]
A teóloga Dorothee Sölle descreve o fenômeno a partir da compreensão de que as relações do partido nazista com as igrejas cristãs na Alemanha contribuíram para o desenvolvimento do Terceiro Reich. Naquele contexto, os evangélicos alemães, que em sua maioria eram luteranos, pois via a República de Weimar como poder um poder irreligioso. O fenômeno continuaria a existir após a Segunda Guerra Mundial, pois líderes cristãos apoiariam supremacias, totalitarismos, políticas de intolerância e de ódio contra minorias. Isso seria viável dentro de uma concepção religiosa que despreza o profetismo que o caracteriza nos Evangelhos, além de silenciar e até zombar da atuação dele entre os pobres e marginalizados.[5]
Segundo a teóloga Dorothee Sölle, trata-se de uma concepção de cristianismo que:
“ | conhece a cruz apenas como um símbolo mágico do que Jesus fez por nós, não como um sinal do homem pobre que foi torturado até a morte como um criminoso político (...). Este é um Deus sem justiça, um Jesus sem uma cruz, uma Páscoa sem uma cruz – (...) uma traição aos desprezados, uma arma milagrosa a serviço dos poderosos.[5] | ” |
Sölle se refere às práticas de religiosos cristãos que agridem verbal e fisicamente:
O cristofascismo também conquistaria fiéis pela propagação do medo, ou seja, dissemina-se a existência de supostas conspirações de bandidos, de terroristas, de comunistas, o que justificaria reações violentas "em legítima defesa".[5]
Tom Faw Driver, professor emérito do Union Theological Seminary (Nova Iorque), expressou a preocupação de "que a adoração de Deus em Cristo não separe cristão de judeu, homem de mulher, clérigo de leigo, branco de preto ou rico de pobre". Para ele, o cristianismo está em constante perigo do cristofascismo, afirmando que "tememos o cristianismo, que vemos como a direção política de todas as tentativas de colocar o Cristo no centro da vida social e da história" e que "muito do que as Igrejas ensina sobre Cristo se transformou em algo que é ditatorial em sua essência e está preparando a sociedade para um fascismo americano".[6][7]
O cristofascismo "permite aos cristãos não se importarem apenas com outras religiões, mas também com outras culturas e partidos políticos que não marchem sob a bandeira do Cristo final, normativo e vitorioso" - como Knitter descreve a visão de Sölle.[8][9] Várias lideranças cristãs apoiaram o nazismo no continente americano, como Douglas Coe[10] e Rick Warren.[11]
Douglas John Hall, Professor de Teologia Cristã na Universidade McGill, relaciona o conceito de Cristofascismo ao Cristomonismo, que inevitavelmente termina em triunfalismo religioso e exclusividade, observando que o Cristomonismo facilmente leva ao Cristofascismo, e a violência nunca está longe de Cristomonismo militante (O cristomonismo só aceita uma pessoa divina, Jesus Cristo, em vez da Trindade).
Ele afirma que a cristologia excessivamente divinizada da cristandade é demonstrada como errada por seu "antijudaísmo quase implacável". Ele sugere que a melhor maneira de se proteger contra isso é que os cristãos não negligenciem a humanidade de Jesus Cristo em favor de sua divindade, e lembrem-se de que Jesus também era um ser humano judeu.[12][13][14]
Segundo, Fábio Py, autor de "Pandemia cristofascista" (2020), o cristofascismo seria:
Para Fábio Py, um exemplo de governo com elementos de cristofascismo seria o Governo Jair Bolsonaro no Brasil, que de acordo com o autor, promove uma defesa de uma concepção conservadora da família e da moral, associada a uma propaganda favorável à eliminação de seus adversários e à construção de um estado de exceção.[16]
Segundo Chris Hedges e David Neiwert, nos Estados Unidos, as origens do cristofascismo datam da Grande Depressão, quando foram adotadas formas de fascismo com fundamentação "cristã". Nesse sentido, Hedges descreveu Gerald Burton Winrod e Gerald Lyman Kenneth Smith como pregadores fundamentalistas que "fundiram símbolos nacionais e cristãos para defender a primeira forma crua de cristofascismo do país". Durante a Cruzada Nacionalista Cristã, Smith afirmou que um "caráter cristão é a base de todo americanismo real". Segundo Hedges, William Dudley Pelley foi outro defensor do cristofascismo.
No final da década de 1950, os adeptos dessas filosofias fundaram a John Birch Society, cujas posições políticas e retórica influenciaram muito os dominionistas modernos. Outra organização cristofascista seria a "Posse Comitatus", fundada por antigos seguidores de Pelley e Smith. Na década de 1980, foram fundados o "Council for National Policy" e a "Moral Majority". Na década de 1990, o Movimento Patriota e o Movimento de milícias nos Estados Unidos foram importantes vertentes do cristofascismo.
O cristofascismo teria incentivado a violência antiaborto, incluindo os atentados de Atlanta e de Birmingham cometidos por Eric Robert Rudolph e o assassinato de George Tiller em 2009.[17][18][19][20][21]
We fear Christofascism ...
...shall we say this, represent this, live this, without seeming to endorse the kind of christomonism (Dorothee Sölle called it 'Christofascism'!...
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