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Estados não pertencentes à UE que participam na união aduaneira ou estão em uniões aduaneiras bilaterais com a UE | |
Tipo | União aduaneira |
Fundação | 1968[1] |
Membros | 27 estados-membros da UE
5 estados/territórios
com acordos bilaterais |
União Europeia |
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Política interna
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A União Aduaneira da União Europeia (UAUE; em inglês: European Union Customs Union, EUCU), formalmente conhecida como União Aduaneira Comunitária, é uma união aduaneira que abrange todos os estados-membros da União Europeia (UE), o Mónaco e o Território de Além-Mar Britânico de Acrotíri e Deceleia. Alguns territórios destacados dos estados-membros da UE não participam na união aduaneira, geralmente como resultado da sua separação geográfica. Para além da UAUE, a UE tem uniões aduaneiras com Andorra, São Marino e Turquia (com exceção de certos bens), por meio de acordos bilaterais separados.[2][3][4]
Nesta união aduaneira, não há barreiras tarifárias ou não-tarifárias ao comércio entre os membros da união aduaneira e – ao contrário de uma área de livre comércio – os membros da união aduaneira impõem tarifas externas comuns (harmonizadas) a todos os bens que entram na união.[3][4]
A Comissão Europeia negocia por e em nome da União como um todo em acordos comerciais internacionais, em vez de cada estado-membro negociar individualmente. Também representa a União na Organização Mundial do Comércio (OMC) e quaisquer disputas comerciais são obrigatoriamente mediadas por ela.[3][4]
A União Aduaneira da UE define as tarifas das importações para a UE de outros países terceiros, atualizando a Pauta Integrada das Comunidades Europeias (TARIC) que assenta no Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e na Nomenclatura Combinada da UE. Estas taxas são detalhadas e dependem do tipo específico de produto importado, podendo também variar conforme a época do ano. O pagamento da totalidade da taxa tarifária prevista no tratamento de Nação Mais Favorecida (Most Favoured Nation, MFN) da OMC aplica-se apenas aos países terceiros que não possuem um Acordo de Livre Comércio com a UE ou não estão num regime de isenção reconhecido pela OMC, tal como o regime Tudo Menos Armas (Everything But Arms, EBA) que é um acordo de ajuda da UE para os Países Menos Desenvolvidos (PMD).[5][3]
O trânsito da União, anteriormente denominado "trânsito comunitário", é um regime geralmente aplicável à circulação de mercadorias não-comunitárias relativamente às quais não foram pagos direitos aduaneiros e outros encargos devidos na importação, bem como de mercadorias da União que, entre o ponto de partida e ponto de destino na UE, têm de passar pelo território de um país terceiro.[6][3]
O regime de trânsito comum é utilizado para a circulação de mercadorias entre os estados-membros da UE, os países da AECL (EFTA) (Islândia, Noruega, Liechtenstein e Suíça), a Turquia (desde 1 de dezembro de 2012), a Macedónia do Norte (desde 1 de julho de 2015) e a Sérvia (desde 1 de fevereiro de 2016). O funcionamento do procedimento de trânsito comum com o Reino Unido está assegurado, uma vez que o Reino Unido depositou o seu instrumento de adesão a 30 de janeiro de 2019 junto do Secretariado do Conselho da UE. O procedimento baseia-se na Convenção de 20 de maio de 1987 sobre um regime de trânsito comum. As regras são efetivamente idênticas às do trânsito da União Europeia.[6][3]
O eurodeputado Edward Kellett-Bowman, como relator (rapporteur) de uma Comissão de Inquérito do Parlamento Europeu, apresentou um relatório ao Parlamento em fevereiro de 1997 que identificou a remoção dos controlos de fronteira e a falta de cooperação dos estados-membros como sendo responsáveis por um aumento do crime organizado e do contrabando. O relatório de Kellett-Bowman levou a União Europeia a criar um órgão de investigação alfandegária e a informatizar os sistemas de monitorização do trânsito.[7][8][9]
O Código Aduaneiro da União (CAU; em inglês: Union Customs Code, UCC), destinado a modernizar os procedimentos aduaneiros, entrou em vigor a 1 de maio de 2016. A Comissão Europeia afirmou que os objetivos do CAU são a simplicidade, o serviço e a rapidez. A implementação ocorreu durante um certo período de tempo e a maioria dos aspetos da implementação foi concluída até 31 de dezembro de 2020, embora algumas formalidades geridas por sistemas eletrónicos possam não estar totalmente implementadas até 2025.[10][11][12]
Um dos principais objetivos do CAU é avançar para a utilização completa de sistemas eletrónicos para as interações entre as empresas e as autoridades aduaneiras, e entre autoridades aduaneiras, pondo fim a todos os processos alfandegários suportados em papel.[13][11][12]
O Mónaco e o Território de Além-Mar Britânico de Acrotíri e Deceleia são partes integrantes do território aduaneiro da UE.[14][15]
Estado / território | Acordo | Entrada em vigor |
---|---|---|
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Convenção Aduaneira Franco-Monegasca[16][17][18] | 1968 |
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Tratado de Adesão de 2003[19]
Acordo de saída do Brexit (Brexit withdrawal agreement)[20] |
1 de maio de 2004 |
Embora todos os estados-membros da UE façam parte da união aduaneira, nem todos os seus respetivos territórios participam. Os territórios dos estados-membros que permaneceram fora da UE (territórios de além-mar da União Europeia) geralmente não participam na união aduaneira.[21]
No entanto, alguns territórios da UE não participam na união aduaneira por razões fiscais e/ou geográficas:
Os seguintes territórios foram excluídos até o final de 2019:[21]
Andorra, São Marino e Turquia estão cada um numa união aduaneira com a UE.[2][3]
Estado | Acordo | Entrada em vigor | Observações |
---|---|---|---|
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Acordo sob a forma de Troca de Cartas entre a Comunidade Económica Europeia e o Principado de Andorra – Declarações Comuns[24][25] | 1 de janeiro de 1991 | Exclui produtos agrícolas |
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Acordo de Cooperação e União Aduaneira entre a Comunidade Económica Europeia e a República de São Marino[26] | 1 de abril de 2002 | |
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Decisão n.º 1/95 do Conselho de Associação CE-Turquia, de 22 de dezembro de 1995, relativa à implementação da fase final da União Aduaneira União Europeia – Turquia[27] | 31 de dezembro de 1995 | Exclui produtos agrícolas |
O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte deixou a União Europeia a 31 de janeiro de 2020 e os acordos de transição terminaram a 31 de dezembro de 2020. Foram feitos acordos especiais para as partes do Reino Unido e os seus territórios que partilham uma fronteira terrestre com um estado-membro da UE.[20]
A Irlanda do Norte deixou de ser membro da União Aduaneira da União Europeia: o seu comércio com a Grã-Bretanha e o seu comércio com a União Europeia são agora regulados pelo Acordo de Comércio e Cooperação UE-Reino Unido (EU–UK Trade and Cooperation Agreement), pela Lei da União Europeia (Relacionamento Futuro) de 2020 e a Lei do Mercado Interno do Reino Unido de 2020. Estas incluem disposições especiais para o comércio de mercadorias entre a Irlanda do Norte e a UE que, para muitos propósitos, são semelhantes às que se aplicam na União Aduaneira, embora a Irlanda do Norte continue a fazer parte do território aduaneiro do Reino Unido.[20]
Gibraltar deixou a UE simultaneamente com o Reino Unido. Quando fazia parte da UE, era um dos territórios da UE com derrogação (opt-out) e não fazia parte da União Aduaneira da UE. Um acordo de princípio foi alcançado entre a UE, o Reino Unido e Gibraltar para negociar um tratado que incluiria disposições para o comércio de mercadorias entre a UE e Gibraltar. Estes seriam "substancialmente semelhantes" aos da União Aduaneira da UE. Em julho de 2021, o acordo ainda não havia sido concluído.[28]
Como já mencionado acima, o Território de Além-Mar Britânico de Acrotíri e Deceleia na ilha de Chipre é parte integrantes do território aduaneiro da UE.[19][20]